domingo, 29 de maio de 2011

500 feito no México(Modelo passará a ser importado do país para o Brasil!!!)

“Delicioso!” Assim falou Kim Reynolds, nosso guru em matéria de dirigibilidade e conforto, quando eu perguntei como era dirigir o ousado 500 da Fiat em nosso circuito em forma de oito. O selo de aprovação de Reynolds é de fato um grande elogio para o diminuto novato, uma vez que eu já o vi bocejar ao descer de ultracarros que custam várias centenas de milhares de dólares. É sério.

Então porque tanto amor para um carro tão pequeno? Bem, em pouquíssimas palavras, o 500 merece. Tecnicamente falando, o 500 se encaixa no segmento A, juntamente com o Smart ForTwo e o futuro Toyota iQ. Mas o Fiat é muito maior do que o Smart e fica no limite de uns 15 cm de um Mini Cooper na maioria das dimensões, mesmo que esse último se pertença ao segmento B. Aqui está o segredo: Do banco do motorista, você nunca desconfiaria do pequeno tamanho do Cinquecento.
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Eu tenho 1,78 m de altura e, no 500 Sport sem teto solar com o qual rodamos durante um fim de semana, tive espaço de sobra. No entanto, os Fiat 500 com teto de vidro têm muito mais espaço para a cabeça. Mas, de volta ao teto de aço, um manobrista com 1,95 m de altura de nosso hotel em San Diego sentou-se no 500 e afirmou: “Eu tenho mais espaço aqui do que em um CTS”. Arda, Cadillac! Eu achei o banco traseiro apertado para a cabeça, mas, de alguma forma (quem sabe por mágica), muito bom para as pernas. Eu espero que, se for confinado ao banco traseiro, você tenha algo para abraçar, ou seja, não tenha que se sentar reto.

Com apenas 1.4 litro ao comando do pé direito, eu estava esperando o pior. Eu supus que o Fiat 500 seria capaz de rodar ligeiro na cidade, mas brigar com o vento em alta velocidade enquanto gritaria como um vendedor de peixe. Adivinha? Na rodovia, entre 130 e 145 km/h, o 500 não estava se esgoelando, mas rodava suave. O conta-giros estava pouco acima dos 3000 rpm, o ruído dos pneus e do vento era baixo e o motor parecia – será que ouso dizer isso? – refinado. Aqui também eu estava esperando uma colméia furiosa zunindo pela carroceria, mas, em vez disso, fui agraciado com uma calmaria. Subindo uma ladeira com 5% de inclinação na marcha mais alta (quinta em nosso carro manual; os modelos Lounge têm câmbio automático de seis marchas), eu precisei apenas cutucar o acelerador mais um pouco e o novo motor de quatro cilindros MultiAir da Fiat facilmente manteve os 130 km/h.
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O modelo Sport custa cerca de R$ 31.000

Com uma cabine tão quieta e espaçosa, o 500 parece luxuoso, embora o Sport testado, que sai por US$18.750 (cerca de R$31.000) depois de se adicionar GPS e um som melhor, certamente não é. Aí está engenharia inteligente a seu serviço. Nosso modelo Sport tinha bancos de couro marrom com detalhes em tecido de excelente aparência e bem confortáveis, mesmo depois de mais de 150 km dirigindo. A fotógrafa Julia LaPalme preferia que o som tivesse controles rotativos em vez de botões de toque para o volume e sintonia. Eu faço coro com ela, mas complemento dizendo que o controle de volume duplicado atrás do volante funciona bem. Falando em funcionar bem, eu consegui encaixar um copo de café, uma garrafa de água e dois celulares nos porta-copos centrais redesenhados para o mercado americano. Eu acho corajoso a Fiat vender um carro com apenas dois porta-copos para americanos. Será que eles vão sobreviver? Será que a marca italiana vai sobreviver? Veja bem, como a presidente da Fiat americana, Laura Soave, tem dito, o 500 não é para todos.

Embora talvez ele seja para mim. Em nossa pista de testes, eu descobri ainda mais coisas para gostar do estiloso liliputiano. A suspensão (também) redesenhada para os ianques ganha vida quando você começa a jogar o 500 nas curvas. Você pode pensar que um carro tão desequilibrado por definição não poderia ser jogado assim. Afinal de contas, 62% do peso do 500 está sobre as rodas dianteiras, uma receita infalível para um carro sair de frente. Mas nós estamos falando de apenas 1.050 kg – totais.

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Parece pequeno, mas o espaço é confortável e bem equipado e com comandos bem distribuídos.

O novo Chrysler 300C carrega esse peso apenas sobre as duas rodas da frente. Quando se trata de dinâmica, nós faríamos bem em ouvir Colin Chapman. Mesmo com uma distribuição de peso tecnicamente terrível, o 500 é uma delícia de dirigir agressivamente. Foi exatamente isso que Kim Reynolds disse: “Eu estava completamente preparado para encontrar defeitos nesse carro e saí dele encantado. Ao contrário de algumas coisas, em carros, menor é melhor na minha opinião, já que reduzir o peso significa uma melhor relação entre a estrada e o sistema nervoso do carro. E esse certamente é o caso aqui.

Embora não estejamos indo incrivelmente rápido entre as curvas, o Fiat mergulha nelas simplesmente dançando de entusiasmo para mudar de direção – e eu adoro essa sensação. Uma vez que se está contornando a curva, o 500 realmente sai de frente, mas a intensidade não é demasiada e pode ser completamente ajustada com o pé no acelerador. Em um carro pesado, essa saída de frente me deixaria temeroso quanto a abusar dos pneus dianteiros. Mas, considerando o baixo peso do 500, forçar os pneus assim é um abuso que mal causa culpa.”

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O botão Sport deixa o carro com comportamento mais agressivo e o som Bose de alta-fidelidade é um ponto alto do carro

Obviamente, nós colocamos nossas mãos na versão Sport, que tem alguns truques na manga em questão de desempenho. Por exemplo, em vez de rodas de 15 polegadas em aço, nosso pequeno notável cor de cobre calçava rodas de liga leve de 16 polegadas. E pinças de freio em vermelho também. Ele também veio com os aderentes pneus Pirelli em vez dos menos grudentos Continental encontrados no Pop (modelo básico) e Lounge (completo). É uma aposta certeira que os pneus mais macios contribuíram em grande parte para a aderência lateral de 0,85 g do 500 Sport. Ainda assim, nós imaginamos que o modelo Pop de US$ 16.000 (cerca de R$ 26.400) terá qualidade suficiente para a maioria das pessoas. Caso contrário, gaste dois mil dólares a mais e escolha o Sport. Os mais arrojados talvez queiram passar longe do modelo superior Lounge, porém, já que ele vem com um câmbio automático de seis marchas. Devemos dizer que se trata de uma transmissão excelente e ficamos positivamente surpresos que a Fiat tenha achado adequado lançar mão de seis marchas (você está ouvindo, Mazda2, com sua antiquada transmissão automática de quatro marchas?), mas nós preferimos muito mais o câmbio manual.

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O motor 1.4 Multiar de 105 cavalos será um das novidades da versão feita no México e que será vendida no mercado brasileiro

Essa é a parte da avaliação que eu temia. A parte onde eu tenho que dizer o quanto o Fiat 500 não é rápido. Preparado? 0 a 100 km/h em 9,7 segundos. O quarto de milha finalmente é alcançado após 17,2 segundos a lentos 126,3 km/h. Embora ele tenha discos nos freios das quatro rodas, parar a partir de 100 km/h precisou de fracos 39,9 m. Nós também notamos que, em uma freada de pânico, a traseira do 500 começa a sambar. O editor-adjunto de testes Carlos Lago classificou isso como “apavorante”. Eu vejo essa tendência como a única grande falha do 500 e, uma vez que você esteja preparado para a sensação, ela não é tão assustadora. O pequeno Fiat também levou 28 segundos para vencer os 525 m de nossa pista em forma de oito. Para fins de comparação, o Mazda2 com transmissão manual leva 27,8 segundos, enquanto o Mazda2 com o câmbio automático de quatro marchas precisa de 28,3 segundos. E já que você deve estar se perguntando, o Infiniti QX56 com suas 2,5 toneladas precisa de 28,4 segundos.

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A versão Sport traz rodas de liga leve de 16 polegadas faróis auxiliares e pintura perolizada

Mas, por favor, eu imploro, esqueça esses números. Rejeitar o Fiat 500 porque ele é lento no quarto de milha é o mesmo que não flertar com a Angelina Jolie porque ela é fraca no levantamento de peso. Há outros atributos que devem ser considerados. Além disso, para os fanáticos por velocidade, a Fiat diz que, daqui a um ano, a versão turbinada Abarth do 500 aportará nos Estados Unidos com cerca de 150 cavalos à disposição. Deixe-me encerrar com dois detalhes: O primeiro é que, apesar de literalmente significar “quinhentos”, cinquecento é uma gíria para a Renascença italiana do século 16. Supondo que o resto dos projetos da Fiat para o mercado americano sejam tão bons como o 500, vemos outro renascimento italiano prestes a acontecer. A última coisa que eu gostaria de dizer é: “Delicioso”.

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O carrinho é capaz de acelerar 0 a 100 km/h em 9,7 segundos com câmbio manual de cinco marchas.

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